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Investimentos

CDI: o que é, como ler as séries e diferença para a Selic

O CDI é a régua do juro de curtíssimo prazo entre bancos — o número por trás de “100% do CDI”. Entenda a leitura ao ano, o mês, o acumulado e a diferença para a Selic, sem confundir com a taxa do seu título.

7 minutos de leituraPor Redação eCalculoPublicado em 15 Set 2026

Caderno com anotação 100% do CDI, notas de real e caneca à luz do dia

Introdução

O CDI resume o juro médio dos empréstimos de curtíssimo prazo entre bancos. É a régua por trás de frases como “100% do CDI” — não a taxa do seu CDB nem a Selic, e sim a referência sobre a qual muitos produtos se apoiam.

Neste guia você separa a leitura ao ano, o CDI do mês, o acumulado do período e a conta de 100% ou 110%, sem misturar com a regra de um título.

O que é o CDI?

CDI é a sigla de Certificado de Depósito Interbancário, mas o que importa no dia a dia não é o nome completo — é o papel do número. O CDI resume o juro médio dos empréstimos de curtíssimo prazo que os bancos fazem entre si, quase de um dia para o outro. Quando o noticiário ou a corretora dizem que “o CDI está em tantos por cento ao ano”, estão falando dessa régua.

Por que isso aparece tanto em renda fixa? Porque muitos produtos usam o CDI como referência: “100% do CDI”, “110% do CDI”. Nesses casos, o índice não é a taxa do seu CDB nem a do seu fundo — é a base sobre a qual o percentual do produto se apoia. A régua é uma coisa; a regra do título é outra.

Como o dinheiro entre bancos responde ao mesmo clima de juros da economia, o CDI costuma andar perto da Selic. Ainda assim, não são o mesmo indicador: um fala da referência interbancária de curto prazo; o outro, do juro básico da política monetária.

De onde vem o “CDI a X% ao ano”?

A frase mais citada — “o CDI está em 13,90% ao ano”, por exemplo — é a leitura anualizada do índice. Ela traduz, num único percentual ao ano, o juro de curto prazo que o CDI está refletindo naquele momento. É a linguagem comum do mercado para todo mundo falar da mesma referência.

Esse número não é a soma dos meses do ano passado no dedo, nem o CDI de um mês multiplicado por doze. Também não promete o que o seu título vai render. Ele só responde: qual é a referência atual do CDI, expressa ao ano?

Quando alguém calcula “100% do CDI” ou “110% do CDI”, em geral parte desse percentual ao ano. Por isso a data junto ao número importa: a série oficial muda, e a referência de ontem pode não ser a de hoje. Em divergência entre fontes, prevalece a publicação do Banco Central.

CDI no mês e CDI acumulado

Além da referência ao ano, existe o CDI de cada mês: quanto o índice variou naquele período. Essa leitura responde a outra pergunta — “o que o CDI fez em março?” —, não “qual a régua ao ano agora?”.

Quando vários meses entram em sequência, dá para ver o acumulado do período. Esse acumulado se multiplica mês a mês, em vez de somar as porcentagens como numa lista de compras. Por isso um acumulado de doze meses pode ficar diferente da referência ao ano que está sendo citada no mesmo dia: uma coisa olha o que o índice fez no período; a outra olha a referência atual expressa ao ano.

Um atalho comum — dividir o CDI ao ano por doze para “achar o mês” — erra a conta. O mês é o mês; o acumulado é a composição dos meses; o percentual ao ano é a forma de citar a referência de agora.

O que significa “100% do CDI”

Se a referência do CDI está em 13,90% ao ano, “100% do CDI” significa acompanhar esses 13,90%. “110% do CDI” multiplica a mesma régua por 1,10 e chega a 15,29% ao ano — ainda só na conta do índice, sem imposto, sem liquidez e sem a letra miúda do produto.

A diferença entre 100% e 110%, nesse exemplo, é 1,39 ponto percentual na régua. Para sentir o tamanho: sobre R$ 10.000 em um ano, 13,90% seriam cerca de R$ 1.390 e 15,29% cerca de R$ 1.529 — R$ 139 a mais no 110%, antes de qualquer tributo ou regra de título.

Esse exercício ilustra só o tamanho do percentual sobre a régua. Não é o rendimento final na conta, nem uma simulação de investimento: o contrato, o prazo e o imposto ainda podem mudar o que sobra de verdade.

Como ler os números da tabela

O ponto de partida mais útil costuma ser o percentual ao ano: é o que as pessoas citam quando perguntam “quanto está o CDI?”. Com ele dá para montar a conta de 100% ou 110% do índice e comparar a régua de um dia com a de outro.

O mês e o histórico contam outra história — a trajetória. O fator acumulado junta vários períodos num único multiplicador composto, útil quando a pergunta é o efeito do intervalo, não um mês isolado. Em qualquer leitura, a data ao lado do número faz parte da resposta: sem vigência, o percentual fica solto.

CDI, Selic e poupança

A Selic é o juro básico da economia, definido na política monetária. O CDI é o juro médio entre bancos no curtíssimo prazo. Os dois costumam caminhar perto, porque o mercado de dinheiro “overnight” responde ao mesmo clima de juros — e, ainda assim, continuam sendo indicadores diferentes.

A poupança também não é CDI: ela tem regra própria de rendimento, com tetos e vínculos com a Selic que não passam pela frase “% do CDI”. Misturar Selic, CDI e poupança como se fossem sinônimos é o atalho mais rápido para ler errado uma taxa de vitrine.

Um jeito simples de guardar: Selic fala do juro básico; CDI, da régua interbancária que muita renda fixa cita; poupança, de uma regra à parte. Parecidas no clima, diferentes na definição.

Leituras que misturam CDI, Selic e produto

Tratar CDI e Selic como a mesma coisa é o atalho mais comum — andam perto, não são iguais. Outro é dividir o percentual ao ano por doze e achar que encontrou o mês. Também engana ler “100% do CDI” como se já fosse o valor líquido na conta: isso é só o pedaço da régua, não o resultado final do produto.

Na comparação entre fontes, misturar % ao ano com % no mês, ou ignorar a data da série, muda a conclusão. E quando a referência ao ano de agora e o acumulado dos últimos doze meses não batem, muitas vezes não há “erro” — há duas perguntas diferentes sendo respondidas ao mesmo tempo.

Até onde o CDI vai

O CDI não prevê o que o seu título vai pagar e não é a taxa contratada do banco. É um índice de referência, nascido do mercado interbancário e republicado nas séries do Banco Central.

Ele também não substitui a leitura do contrato: liquidez, imposto, prazo e risco ficam na regra do produto. Quando dois números divergirem, prevalece a fonte oficial do Banco Central.

Perguntas frequentes

01Tabela CDI e este artigo: qual a diferença?

A tabela mostra os números do índice (CDI hoje, mensal e acumulado). Este artigo explica o que é o CDI, de onde vem o percentual ao ano, como ler mês e acumulado, e o que significa 100% ou 110% do CDI.

02O que significa 100% do CDI?

É multiplicar a régua do CDI por 1,00. Se o CDI está em 13,90% ao ano, 100% do CDI = 13,90% ao ano — só na conta do índice, não o líquido do seu título.

03CDI e Selic são iguais?

Não. Andam perto no clima de juros, mas a Selic é o juro básico da economia e o CDI é a régua de juro entre bancos no curtíssimo prazo.

04O que significa CDI “ao ano”?

É a forma mais citada de ler o índice: “o CDI está em X% ao ano”. É a referência usada quando se fala em 100% ou 110% do CDI.

05O que é o CDI do mês?

É quanto o índice variou naquele mês. Não se acha dividindo o CDI ao ano por 12.

06Como se calcula 110% do CDI?

Multiplique o CDI ao ano por 1,10. Se o CDI está em 13,90%, 110% do CDI = 15,29% ao ano — só na conta do índice.

07Posso dividir o CDI ao ano por 12 para achar o mês?

Não. Use o CDI do mês ou o acumulado do período.

08Por que o CDI ao ano e o acumulado em 12 meses podem diferir?

Porque respondem perguntas diferentes: um é a referência atual; o outro é o que o índice fez no período, mês a mês.

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